domingo, 23 de julho de 2017

Outra ótima opção de pão sem glúten ...com a farinha de castanha!

Já tinha a farinha de castanha Amálgama há algum tempo em casa....mas ainda não sabia bem no que fazer e no meio de final de aulas, reuniões e uma festa de aniversário no meio ainda não me tinha decidido. Esta ultima semana já foi mais calma de trabalho e pensei que podia experimentar uma mistura de farinhas diferente e colocar parte desta farinha e ver o que dali saia.

A Amálgama é uma empresa com sede em Vila Nova de Famalicão e que tem como principal objectivo valorizar a castanha do concelho de Vinhais. Produz esta delicada farinha de castanha isenta de glúten que eu comprovo que é muito fina e leve e que acabou por dar uma textura mais fofa ao pão sem glúten que fiz e o sabor é também mais saboroso.

O pão ficou ligeiramente mais escuro, mais saboroso e... (não sei se já disse?) mais fofo!!

A receita foi um improviso daquela que já costumo fazer: 

O que vão precisar...

350 g de farinha Mix Pan da Schar
100g da Farinha de Castanha Amálgama
50g de farinha de arroz da Ceifeira
8 g  de fermento seco da Schar
20 g de psyllium husks
500 g de água
10g de açucar ou mel
10g de sal 
10 a 20 g de azeite

Na Bimby...

Pré aquecer o forno a 40/50ºC
Coloco 500g de água no copo e de seguida o fermento depois são 2 min/37ºC/vel 2.
Antes da próxima etapa misturo as farinhas numa taça assim como o sal, o açúcar e o psyllium husks... depois coloco tudo na copo, coloco depois o azeite e...
São uns 3 minutos e opção Espiga.
Desligue o forno....
Coloque a massa obtida numa forma já com papel vegetal colocado previamente e coloque no forno tapado com um pano ou com papel vegetal e espere 40 minutos ou até que dobre o volume da massa..
(se quiser que faça crosta como também fiz aqui, coloque farinha de arroz por cima da massa)
Depois é só ligar o forno a 180ºC  e deixe cozer por 40 minutos ( conforme o forno, vá testando com o palito para o pão estar cozido conforme gosta)

Numa Batedeira....

Pré aquecer o forna a 40/50ºC
É tudo igual mas podem usar água morna quando juntam com o fermento e o açucar e batem levemente ou apenas ainda numa taça sem batedeira.
Depois noutra taça misturo as farinhas numa taça assim como o sal e o psyllium husks.
Depois junta na mistura anterior  e junta ainda o azeite e bata na batedeira durante uns  3 a 4 minutos ( tem que ir espreitando) 
Desligue o forno....
( o resto é igualzinho à opção Bimby)


Só posso aconselhar a experimentar esta farinha de castanha pois para além da garantia de isenção de glúten é realmente muito boa!!  A próxima vez vou experimentar  num bolo/doce e já posso dizer com mais segurança que...... vai sair bem de certeza!!


Obrigado Amálgama!!

Desfrutem e divirtam-se!!




domingo, 16 de julho de 2017

Ela já tem 9 anos!!

Eu confesso... sou daquelas mães que adoram planear a festa de aniversário dos filhos e torná-los sempre...especiais! Por exemplo, este ano a festa da minha Sofia (a mais nova - fez 6 anos) foi uma pequena loucura - ela faz anos a 30 de Outubro e resolvi, desta vez,  fazer uma festa alusivo ao Hallowenn - a miudagem aderiu e eu também aproveitei - prometo que conto tudo numa próxima!

A minha Leonor já tinha feito um pouco de tudo para uma festa de aniversário no verão - piqueniques com toda a logística atrás; num espaço alugado; em casa (a pedido da própria); no Pavilhão do Conhecimento (adorou) e no ano passado encontrei um espaço porreiro com ringue e a miudagem levou desde bicicletas, bolas a patins (eles adoraram mas eu estava sempre com o coração nas mãos a ver quando é que alguém se magoava) - este ano lá andava ela a pedir me que fosse em casa de novo (é caranguejo que doí - caseira ao máximo) e eu já a lembrar-me da loucura da festa do Hallowenn cá em casa ( já disse que foi uma pequena loucura?) e assim de repente lá me veio a ideia:
 - "E se convidasses amiguinhas tuas para a festa e dormiam cá em casa, fazíamos uma espécie de Festa de Pijama mas só podias convidar umas quatro (de outra forma ninguém dormia bem)?"

Se vocês vissem a cara dela - os olhos cintilavam!! -   SIM!!!

  Foi no fim de semana passado que festejámos o 9º aniversário da Leonor. Convidei só os tios e avós e as amigas ansiosas pela noite ( durante a semana anterior planeavam com a Leonor o que iam fazer na festa). Foi uma delicia vê-las a jogar, a desfilar vários fatos, a cantar e a fazer vídeos no tablet qual youtuberes com programa, fãs e atenção hanstag festa de pijama - #festadepijama - não estivéssemos na era dos blogues, insta e youtube! E as conversas delas à noite (eu não tenho a culpa que elas falam alto) são maravilhosas, houve uma delas que a certa altura diz: "Não se esqueçam que tudo o que estamos a falar aqui não é para falar lá na escola" - esta frase faz-me ter também 8/9 anos reviver conversa com as minhas amigas - é tão bom!! Sim, também foi cansativo - elas só adormeceram à uma e tal da manhã e pasmem-se acordaram às oito da manhã - mas ela ADOROU - e isso é o mais importante!!

Quanto à mesa não foge das mesas de festas de crianças no verão, mas desta vez - e passados três anos de não confiar o bolo de aniversário a ninguém para que seja isento de glúten e igualmente lindo - eu depositei toda a minha confiança na Rapariga do Blog ao Lado para fazer o bolo  de aniversário com o tema - Luna!! Já sigo o seu blogue desde o inicio de tudo e os bolos que ela tem feito são lindos - quando se tem "mão" para a arte de decorar bolos e se gosta é meio caminho para correr muito bem! E não é que foi o que aconteceu e o bolo para além de lindo estava DELICIOSO!!


Está lindo não está? As minhas miúdas adoraram!!

Para além do bolo, tudo o resto era sem glúten - para uma festa de verão (em casa) aqui vão algumas ideias:



Espetadas de Fruta



Pasteis de Bacalhau


                                       Gelatinas                                                  Delicias de Leite ( autoria da tia)


Sobremesa de chocolate e morango
Ideia que já veio daqui mas que coloquei em individuais


Palitos de Cenoura


O molho do Ricardo 
(é assim que eu o chamo - é o molho que o tio das miúdas traz sempre e que é delicioso e muito fresco para petiscar com tostas)

Só precisam de picar ...

  Delicias do Mar  SG (Pescanova)

 Alface

Maça Golden

Cebola

E misturar com...

Maionese SG ( Vianeza)



Não se esqueçam da limonada (bimby) no dispensador mais fixe e que todos adoram (miúdos e graúdos) e que encontram na Tiger (já agora porque não dividir a compra com uma amiga ou alguém da família para usar nas festas de ambas?)


E voilá..... Divirtam-se e desfrutem!!

terça-feira, 20 de junho de 2017

Quem fica com os nossos filhos....

Quando no outro dia as fui buscar não esparava por aquilo. Vi a  minha Sofia a chorar muito - pensei logo que se tinha passado algo grave pois ela não é miúda de chorar por qualquer coisa - logo pergunto - "Que aconteceu?"

"O João vai-se embora mãe!"

O João é o professor do ATL, aquele que está com as minhas filhas desde o 1º ano da minha mais velha - a Leonor - que entretanto já tinha vindo ter comigo a chorar igualmente.

Desde logo percebi que ele era diferente e mostrou ser o que eu esperava dele - amigo dos miúdos mas disciplinador quanto baste; sensível e companheiro; preocupado e muito competente.

Eu, quando percebi o que se estava a passar por ele - "Vou viver para o Alentejo" - fiquei quase sem reação e perante o choro delas, de metade das crianças do grupo dele e dos olhos vermelhos do próprio fiz o que uma mãe deve fazer - passar segurança às filhas e dizer que, infelizmente, por vezes, vão se embora para longe quem gostamos muito mas não deixam de estar no nosso coração e que, de certeza ( espero ) no próximo ano irão ter também alguém de que vão gostar.
Foi, no entanto, com muita tristeza que soube que, nos próximos anos ele não estaria lá para elas.
O João é um professor de excelência ( devia estar a dar aulas mesmo - é professor primário), parece que nasceu para estar com crianças, é uma pessoa muito acessível e simples e eu já partilhava e falava com ele com muito à vontade e confiança e sabia que elas estavam e estariam muito bem com ele - era uma grande segurança para o meu coração de mãe!

João, só posso agradecer assim - escrevendo - por teres sido muito importante, por passares valores e humildade às minhas filhas pois és simplesmente genuíno e as crianças sentem e sabem disso.
Por teres estado sempre lá para uma mãe chata e preocupada e por me teres ajudado e ouvido sempre!

OBRIGADO

Espero, sinceramente, que sejas muito feliz e tenho a certeza que vais fazer muitas outras crianças felizes!


oferta dele para todas as crianças


Nem sabes, mas tive que dizer às miúdas que, te íamos visitar ao Alentejo para ver se aquelas carinhas tristes desapareciam. Não te livras de nós assim tão facilmente.

sábado, 27 de maio de 2017

Outro lado prático e otimista...A melhor forma de levar isto!!

Ainda pensando na sensibilização da doença celíaca pedi à nossa querida Rapariga do Blog ao Lado que me cedesse responder às minhas perguntas ao que ela disse logo que SIM e que, desde já, agradeço.
O objectivo é perceber como foi o seu diagnóstico, como se sentiu, como vive o dia-a-dia e como são os seus pensamentos e/ou sentimentos em relação a várias situações e/ou temas. Pois embora cá por casa se convive com a doença celíaca e se vive com a dieta sem glúten, muitas vezes eu me pergunto como será a vida dos adultos celíacos e como se organizarão na sua vida, como vivem/partilham com o parceiro e/ou a família esta diferença. 

De novo, para sensibilizar, educar e partilhar!!

Vamos lá a isto...Boa leitura e espero que vos ajude!


1) Com que idade foi diagnosticado a doença celíaca?

Olha foi por volta dos 18-19 anos. Nessa altura andava na Faculdade e associava os sintomas/reacções ao sistema nervoso desta nova etapa da minha vida.

2) Nessa altura já tinha ouvido falar na doença ou mesmo na palavra glúten?

Nada, como vês isto foi há 20 anos atrás. Se hoje se ouve falar de DC, DIG e gluten, na altura muito pouco ou nada se ouvia.

3)  Até ao diagnóstico feito, que "caminhos" percorreste? Demorou o diagnóstico?

Assim que entrei para a Faculdade, descobri sintomas anormais, mas sempre associei os sintomas de cansaço intenso ao facto de estar a viver uma nova etapa na minha vida, mais agitada, muita correria de um lado para o outro, aliado ao ginásio que decidi frequentar, só para ganhar alguma massa muscular. O cansaço era muito, mas o meu espírito persistente fazia com que todos os dias levantasse o esqueleto da cama e o levasse ate à faculdade (era mesmo isto). Não conseguia ter o rendimento que queria… a cabeça estava cansada, assim como todos os músculos do meu corpo. Os dias eram preguiçosos, contrariamente ás noites agitadas sem conseguir dormir 2 horas seguidas, sequer. De hora a hora a barriga reclamava com fome. Mas fome mesmo, chegando ao ponto de ir ao frigorífico e comer a feijoada, que havia sobrado do jantar. E sem engordar, na altura pesava 46kg. Com a barriga mais composta, tentava dormir, mas infelizmente os episódios de dores abdominais, diarreias e enjoos não me deixavam descansar. E a ansiedade aumentava, sabendo que daqui a algumas horas teria de me levantar e pôr-me a caminho. Passei uns tempos nisto, condicionada demais, na minha vida. Até que, a minha melhor amiga de sempre e para sempre, mãe, me arrastou literalmente para o médico! Estava a definhar! Embora sempre a negar, e a dizer, que não seria nada. Já na minha infância era muito magrinha, sempre fui! Talvez fosse de mim. Talvez fosse assim!! Achava normal.

Nessa altura conheci a Professora Drª Estela Monteiro, médica excepcional, que me diagnosticou DC, após análises ao sangue, biopsias e uma radiografia contrastada (hoje sei que existem métodos diferentes). Disse-me com um ar espantado, que não sabia como estava, ainda de pé! E mais espantada ficou, quando lhe referi que ainda frequentava o ginásio, ahahha! Claro, levei logo um “raspanete”! Mas como iria eu saber? O cansaço que tinha associava-o às idas ao ginásio, para ganhar alguma massa muscular (achava eu) e nunca a uma doença.

Estava explicado, o porquê de me levantar hora a hora. A minha digestão era feita em 45 minutos e portanto a “fomeca” era demasiada. Apesar do muito que comia, pouco era assimilado. As carências vitamínicas e de minerais eram notadas, assim como, o meu estado anémico grave por carência de ferro, daí o forte cansaço e dores musculares. NÃO ERA DO GINÁSIO!!



4) Quando te disseram o que tinhas, como te sentiste? Como reagiste?

Bem...depois de todos os exames feitos, numa consulta, foi-me explicada, com toda a paciência do mundo, o que era esta doença, as suas implicações e a dieta que teria de abraçar para toda a vida e lembro-me da seguinte frase que a Drª me disse: “nem a migalha que estiver em cima da mesa, você pode comer”. OK! Percebi logo que era uma coisa séria. Logo de seguida lembro-mede lhe ter feito imensas perguntas, pois era a primeira vez que estava a ouvir falar disto. Depois disso, e depois de ter saído da consulta mais mil perguntas me vieram á cabeça e lembro-me até de duvidar daquilo!Como é que, fazer uma dieta rigorosa sem glúten, sem ter de recorrer a medicação, me vai ajudar a recuperar? senti-me um pouco perdida ainda, pois não conhecia ninguém com esta doença, não havia muita informação, não havia os produtos e a variedade de produtos que há hoje...enfim! Mas por outro lado lembro-me de pensar, bem... se é só fazer uma dieta então não é mau!! Acho que até fiquei um pouco aliviada de saber que não era nada de muito grave. E até reagi bem, na verdade era ver para crer, e assim foi passei a ter uma alimentação mais cuidada retirando o glúten, por completo.


5) Depois do diagnóstico quais foram os teus primeiros passos?

A partir do dia que descobri a DC, a minha vida mudou. Passei a comer TUDO sem glúten, fiz uma lista do que podia e não podia comer, falei com os meus pais e mano, do que podia comer ou não…nessa altura ainda estávamos todos juntos. Nos alimentos que tinha duvidas, evitava, não os comia. Aliás, ainda hoje o faço.
Na altura passei a ser muito mais atenta com a alimentação e a ter cuidados, que nunca tinha tido até então:
·  Passei a ler todos os rótulos, ficava horas nas compras, mas ainda assim percebi que não seria por aí, nem todos os produtos estão identificados correctamente e surgem imensas dúvidas no início. Acho que é por ter uma ligação próxima da cozinha, que me levou, mais rápido, a conhecer todos os ingredientes que continham ou não glúten.
·  A organizar a minha dispensa de forma diferente, criando o meu cantinho sem glúten,em casa dos meus pais (nessa altura) Ainda hoje tenho um cantinho "Dos sem gluten" Apesar de não entrar gluten cá em casa!
·  A ter a minha própria torradeira. Não há cá, nem pode haver, misturas!
·  Passei a frequentar as lojas Celeiro. E também a gastar mais dinheiro, hum hum!
·  Quando viajava, não corria riscos e levava sempre comigo pão sem gluten  dentro da minha mala de viagem. Menos roupa, mais saúde, aahaha!
Comecei a pensar que não sabia fazer bolos. Todos me saiam duros, desagregados e muito“enfezados”! Quem diria que ia ter um blog de receitas sem glúten ah!! É questão de persistência. Sai mal uma, duas e três...na quarta vez sai bem. O mesmo se passou com o pão, cada vez que via o pão que tinha feito, a desmoronar ficava super desanimada, mas na semana seguinte lá ia eu tentar de novo. Hoje faço pão quase todas as semanas.

Fiz a dieta, mas é preciso paciência, persistência e aconselho a não desistir, porque os resultados e a qualidade de vida são imensos.Senti-me e sinto-me livre, apesar de acharem que estamos "presos" a uma dieta é libertador, pois quando vemos a nossa qualidade de vida aumentar depois da retirada do gluten. Quando digo retirada tem de ser por completo, nada de ter vontade de um pastel de nata e interromper a dieta para o comer, a pensar que é tão pequeno que não vai fazer mal. VAI e FAZ! Todo o processo que se tinha  feito até alí é anulado. Volta para trás. 

6) Quais foram as tuas grandes dificuldades a nível de alimentação? E em relação aos outros, como era as reações das pessoas à tua volta?

Olha as minhas limitações a nível de alimentação, no inicio, custava-me muito que comessem pizzas e bolos à minha frente. Apetecia-me comer também, mas como sabia as dificuldades por que passei pensava: Esquece!! chegas a casa e fazes. Chegava a fazer um bolo e comia metade - mesmo que não ficasse bem!
Depois era o pão, não havia muita diversidade. O que havia não me sabia bem. Refugiava-me em papas Maizena eheh. Só mais tarde descobri a marca Schar que uso até hoje.

Quanto ás reacções, é importante que as pessoas que nos são próximas entendam e percebam a nossa condição. Eu tenho a sorte de ter uma família e amigos espectaculares, que seguem à risca receitas sem glúten, compram os meus produtos quando me convidam para jantar e todos comemos juntos e igual. Seguem as regras, e quando têm duvidas, telefonam-me a perguntar, antes de lá chegar! Querem ter tudo pronto, continuo a ser uma princesa ;)!

Hoje já não moro sozinha, o meu marido é o meu apoio a 100%! Aos poucos foi experimentando as minhas receitas e dizendo que era igual, assumindo comer sem glúten, cá em casa! Hoje procura e dá sugestões de receitas sem glúten, cozinhamos juntos e sem riscos de contaminação cruzada, não existem migalhas de glúten na toalha do pequeno-almoço! Não existem utensílios diferentes, não existem tábuas de cortar pão diferentes ou 2 torradeiras.
Apoia-me em tudo e sempre. Hoje, em conversas à mesa, com outras pessoas, já é ele que prontamente responde que tem glúten e que não posso…ou que explica, e bem, esta condição, a alguém. Costumo dizer que a lição ficou bem aprendida!

Claro que há sempre reacções negativas, cheguei a ouvir: oh se comeres um bocadinho não te vai fazer assim tão mal, não morres por isso! ou dizerem que não podemos fazer tal desfeita ao aniversariante porque não aceitámos a fatia de bolo. Ou, andas metida nas dietas é por isso que és assim tão magra... Na altura não reagia, sorria só. Hoje não! Hoje assumo e aceito esta condição (para mim não é uma doença), tento sempre explicar o porquê dos meus actos, e nesse momento tento divulgar BOA e CORRECTA informação, afinal ninguém melhor que um Celiaco para divulgar a DC. Quanto mais divulgada mais informação, mais produtos e mais respeito.


7)  No teu dia-a-dia quais são agora as tuas rotinas? E com que dificuldades ainda te deparas? 

O meu dia a dia é simples e as rotinas estão muito bem aceites. Costumo dizer que se gostas de ti tens de te respeitar e o respeito que tenho pelo meu corpo é não ingerir glúten. É uma dieta que exige disciplina e organização, por exemplo, tento comer o maior nr de refeições por dia, em casa. Faço sempre, ou tento sempre, fazer pão em casa e depois congelo, assim garanto pequenos almoços e lanches “feitos por mim”. O almoço, a maioria das vezes, levo sempre de casa. E o jantar também é por casa. Se, caso contrário, por alguma eventualidade não der para levar opto sempre por um restaurante com grelha, os grelhados e salada é o meu forte.
Quando viajo tento sempre perceber, antes, se existe possibilidade de comprar no local para onde vou e se existem restaurantes certificados, o que já é mais comum ver-se fora. Ainda, assim e para prevenir levo sempre uns pacotes de pão na mala de viagem. Costumo dizer, que o espaço que vai para lá preenchido por pão, é o que dá para voltar preenchido com “recuerdos” ahhaha!


8)  Nestes últimos anos houve um  "boom" da dieta sem glúten. Como vês esta moda?

Sim de facto, oiço muita gente que opta por fazer uma dieta sem glúten. Hoje ouve-se imenso falar dessa dieta feita por pessoas que querem emagrecer. Por acaso cruzei-me em tempos com uma pessoa que seguia uma dieta sem glúten, dizia ela, para emagrecer. Ora sendo eu celíaca e conhecedora da matéria decidi ir mais longe e perguntar-lhe como era a sua dieta….no fundo percebi que a dieta passava por retirar todos os hidratos, pão, massas e farinhas de trigo…ora assim se percebe porque se emagrece. A nossa condição é bem diferente disto! Não me “chateia” que o façam e que falem, pois assim também é verdade que quanto mais se fala, ou quanto mais se procura por alguns produtos poderá ser o ponto de partida para diversificar a montra dos nossos produtos. O que me chateia é só o facto de se “entregar” a outras pessoas informação errada sobre a DC ou a DIG. Estas pessoas não têm uma condição/restrição alimentar por questões de saúde. Têm apenas necessidade de fazer uma dieta pobre em hidratos. Nós não queremos perder peso, nós queremos ter saúde e qualidade de vida, e isso conseguimos retirando o glúten. Substituindo o trigo, centeio e cevada por outras farinhas sem glúten. 

9)  Que conselho me darias como mãe de uma miúda celíaca?

Hum!! Um conselho à mãe? Que nunca use as palavras coitadinha ela não pode comer. … Acho que se deve, com todo o cuidado, claro, e depois de se explicar bem às crianças que se trata de uma doença e não de um capricho, DES-DRA-MA-TI-ZAR! Acho que devemos ser práticos, e ter soluções em cima da mesa, mesmo para que eles vejam que é possível, comer igual ao amigo com sabor. Esse é, hoje, um dos meus objetivos do blog. Mostrar que é possível, comermos sem gluten de uma forma mais saudável e bem saboroso. Mostrar que também conseguimos comer fora, mostrar que podemos ter vida social (claro com os devidos cuidados). 

10) E finalmente gostaria de agradecer continuares a dares o teu ponto de vista, sensibilizares e nos dares ideias/receitas lindas e maravilhosas no teu blogue e queria ainda perguntar como tudo começou, qual foi o teu principal objectivo e qual é o teu sentimento para com o feedback que tens na comunidade celíaca principalmente?

Sou sincera criei o blog para poder mostrar um pouco das minhas rotinas celíacas, e ter um part time, no fundo. Um entretenimento para as horas vagas, não com o objectivo que tem hoje. Hoje quero mostrar que tudo é possível, e que somos capazes de chegar lá. Houve pessoas que me contactaram a dizer qual era o meu segredo porque não conseguiam fazer um bolo, sem glúten, sequer. Hoje, fazem bolos, fazem pães, quiches e até seguiram com os seus blogues. Não é fantástico? Adoro, poder mostrar que com persistência e vontade tudo se faz. Adoro servir de inspiração. Adoro cozinhar nem que seja só para mim e poder partilhar, as receitas, a mesa, os novos produtos…. Enfim.

O blog foi crescendo e as pessoas foram pedindo mais, foram-me desafiando sem saber. E todo esse feedback que enche-me o coração. Fico mesmo feliz com o carinho que recebo. Com o “graças a si consegui” nem imaginas o que isso me faz. É tão bom fazer os outros felizes. Só posso dizer Obrigada por me lerem e me seguirem no blog/facebook.  

Claro que as respostas não me surpreenderam e mostram o lado prático e também otimista da Lipita!!

terça-feira, 16 de maio de 2017

Eu tenho duas filhas...uma é celíaca!

Cá por casa somos 4.
Quando se descobriu que a mais nova tinha a doença celíaca os restantes três fizeram as análises para fazer o devido rastreio e tudo se manteve. Cá por casa só a mais nova é celíaca.
O que me levou depois dos primeiros tempos de adaptação a questionar algumas situações que fazíamos em família, tais como: ir ao café e comer um pastel de nata ou entrar naquele shoping sem nos preocuparmos com o sítio que iríamos comer ou quando íamos à praia e passava aquele senhor a vender a bola de berlim e muitas vezes não o deixarmos escapar, principalmente a mãe ( faz me lembrar a minha infância - praia e bola de berlim).

Como faria agora em relação à minha filha mais velha, Leonor (não celíaca)? Deveria privá-la destes mimos? E a minha Sofia, como seria? Seria justo para ela estar ali connosco enquanto comemos um pastel de nata ou uma bola de berlim?

E a contaminação cá em casa, como fui gerindo? Será que comemos todos já massa sem glúten? E os bolos?

Tantas dúvidas que me invadiam e que me faziam, por vezes, perder noites de sono....

Aos poucos foi percebendo que tudo se equilibra e que a aprendizagem de comportamentos é/foi ensinada também à irmã mais velha e que aos poucos todos nos adaptamos e por isso...


  • Quando vamos a um café ... vamos beber um café e elas já sabem vão buscar uma pastilha elástica (ou um chupa), o café cá do bairro tem sempre pastilhas do Gorila!! Se, por acaso a mais velha se lembra de pedir um pastel de nata, só lhe damos se houver um mimo para a mais nova mas aos poucos a Leonor já percebeu que não é justo estar a comer um bolo quando a irmã não pode - mas, como em tudo, deve haver um equilibrio e se "naquele dia" ela quiser ocorre uma "negociação" para que ambas fiquem felizes.


  • Tudo o resto nós mudámos aos poucos...vamos menos aos shopings e/ou restaurantes mas não deixamos de ir. E se formos não se come sobremesa ou come-se uma fruta ou um gelado.
  • Na praia o "senhor da bola de berlim" lá passa por nós mas ninguém come nem falamos do assunto e a mãe tira a fruta ou a cenoura para comer e se alguém quiser algo doce o pai vai num instante buscar uns gelados da Olá ali do bar/café perto da praia.
  • Logo no ínicio decidi que só faria a partir de agora bolos ou sobremesas sem glúten - se antes não o fazia muito não fazia sentido não fazer agora sem glúten, ainda por cima tinha muito que aprender.
  • As massas - cá em casa sempre adorámos - no inicio ainda fazia um tacho com massa sem glúten e outra com as outras - mas rapidamente percebi que era arriscado (por causa da contaminação) e dava muito trabalho - aos poucos fui fazendo só massa sem glúten para todos e passado pouco tempo já todos comiam da massa sem glúten.



  • O único alimento que entra cá em casa com glúten é o pão e as únicas alturas de risco de contaminação é nos pequenos almoços ou lanches e o que faço sempre é preparar primeiro tudo o que é sem glúten e só depois preparo o outro. Tenho duas torradeiras e duas manteigas como todas as casas como a minha. A minha Leonor já sabe porque é só servida depois da irmã - por causa de haver menos risco de contaminação - e já entende muito bem. 


Aqui entre nós todos saímos a ganhar porque comemos menos doces/bolos e nos últimos anos no verão aderimos aos piqueniques que fazem sucesso na família quando vamos passear e socorremo-nos dos bolos/doces mais caseiros da mãe que a mana mais velha gosta sempre.
 (ao contrário da irmã Sofia que é mais esquisita - ainda por cima é a celíaca da família)

Se faço tudo bem? Não, de certeza que não!
 Faço o melhor que posso, uns dias melhor outros pior!
Enquanto as análises da minha Sofia continuarem negativas, continuam a validar o que faço e os sorrisos das minhas princesas também!!

Partilhem também como gerem isto tudo no vosso dia-a-dia, estou sempre aberta a ideias e partilhas!!


terça-feira, 18 de abril de 2017

Muffins de ovo e legumes

Numa manhã não tinha nada para o meu almoço mas estava por casa e abri o frigorifco, lembrei me de um vídeo que vi na net há já algum tempo e tinha tudo para experimentar algo parecido.

E não é que correu muito bem - estavam muito bons e é uma ótima opção para um almoço diferente e leve! E claro...SEM GLÚTEN!!




Ingredientes

 - 1 chalota;
 - 2 dentes de alho;
 - pimento q.b.
 - 2 cenouras grandes;
 - brócolos (80 a 100g);
 - cogumelos frescos( 80 a 100g);
 - 6 ovos;
 - chouriço SG (40g);
 - batata ( tinha uns restos do dia anterior já cozida);
 - ervas aromáticas a gosto ( coloquei cebolinho e salsa);
 - sal q.b.


Pré aqueça o forno a 180ºC
Saltear os legumes ( previamente picados) e os cogumelos ( já laminados) em azeite numa frigideira.(colocar logo algumas ervas se entender)
Juntar aos ovos já mexidos só os legumes e colocar também as batatas, o sal e as ervas aromáticas.
Dividir em duas taças  e colocar numa os cogumelos e noutra o chouriço.
Colocar em formas de queques (usei umas que tenho de silicone em formas grandes)

Colocar no forno uns 20/25 minutos mantendo os 180ºC.
E estão feitos!! Juntem uma boa salada e almocem também!

Fácil, mas fácil e bons!! Sem glúten e fazem como quiserem...é só experimentar!!

Disfrutem e divirtam-se!!

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Ser Celíaco - parte I

A pouco mais de um mês do Dia Internacional do Celiaco - 16 de maio - quero a partir de hoje começar (continuar) a sensibilizar para a doença pois quanto mais as pessoas estiverem informadas menos ouvimos que "agora é moda isso do glúten" - o que no nosso caso é tudo menos isso, certo?!

Gostaria de partilhar um vídeo/reportagem da Tv Amadora e partilhado na página Viva Sem Gluten, Portugal, com a participação da Dra. Ana Pimenta que está muito bom - espreitem!

A Newsletter do Grupo  Viva Sem Gluten, Portugal - sempre com muita informação e receitas



Para quem desconhece, precisa de ajuda mais detalhada sobre este inicio de vida sem glúten, a Dra Ana Pimenta faz seguimento de pacientes com a doença celíaca e formações na área na Clinica Maria Lamas - a próxima formação é já dia 22 de abril.



E para finalizar não deixar de falar na Página Educativa (acesso a todos) e no Grupo (grupo fechado) Viva sem glúten, Portugal, uma forma de qualquer um puder aceder informação sobre estas patologias e a gestão do seu dia-a-dia sem glúten.


Vamos todos partilhar e sensibilizar o outro - é nossa obrigação!!