terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Acabamos o ano com... pãezinhos com chouriços


Há algum tempo que ando com vontade de fazer pão com chouriço.... ora pão já faço "com uma perna às costas" como se costuma dizer e foi só ter chouriço sem glúten - do pingo doce - que pus "mãos à obra"!!

O pão agora tenho feito sempre na Bimby:

450g de água
8g de fermento seco da Schar
500g de farinha SG da Hacenda ( trouxeram me de Espanha) ou da Mix Pan da Schar
10g de Psilium Buscks (não falha! nenhuma receita de pão)
10g de Sal
15g de azeite


 Coloque  primeiro a água e 8g de fermento -  2min/37ºc/ vel2. Depois a farinha, seguido do sal, depois o azeite; e no fim Pslium Buscks -  3min/ amassar. Entretanto já aqueci um pouco o forno e desliguei porque agora coloco numa bandeja e tapo com um pano e coloco no forno desligado por uns 50/60 minutos ou até dobrar o tamanho.
 Pré aqueça o forno a 180ºC. 
 Depois é só colocar na bancada farinha (usei arroz) e nas mãos, depois amassasse mais um pouco e dividir a massa em seis ou sete partes. Espalmasse cada parte um pouco coloca-se o chouriço cortado e depois "embrulha-se"   e vira-se e dá-se três cortes, o mesmo processo para cada um. 
 Agora é só pincelar com um pouco de azeite para corar e colocar no tabuleiro com papel vegetal e ir para o forno a 180ºC e uns 30 minutos, conforme o forno.


Tenho feito mais pães para depois congelar e a minha filha levar no seu lanche da escola e a receita tem sido esta, não costuma falhar!!

Afinal não é assim tão difícil... é não desistir e ir aprendendo algumas dicas importantes!!
Toca a experimentar e contar tudo....Divirtam-se e Desfrutem!!


quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

A nossa mesa de Natal sem glúten....


O Natal foi cá em casa e...de novo, andei a pensar o que iria fazer este ano. Repeti algumas receitas de anos anteriores, como a queijada de leite e laranja e as bolachinhas que fiz com as minhas miúdas (já começa a ser um hábito natalício) e fiz uns bolinhos de canela, a minha mãe trouxe  arroz doce e o seu pudim (sem glúten, claro), desta vez a minha cunhada que anda a mudar a alimentação e já tem feito algumas receitas sem glúten trouxe bolo de chocolate...
                                     ..................e uns ferrero rocher - versão sem glúten!
Ok...vamos lá voltar atrás...os bolinhos de canela vi no blog da Rapariga do Blog ao Lado que adaptou do blog As Receitas da Mãe Galinha e adorou, ora eu não contraponho - são boas mas boas!!
Têm que experimentar!!


A outra novidade - ferrero rocher - veio pelas mãos da Silvia - a receita, requisitei-a logo!!
Cá vai, precisam de:
6-8 tâmaras previamente demolhadas e descaroçadas
200g de avelãs (previamente tostadas no forno a 200º durante 10-15 min)
2 colheres de sopa de óleo de coco
3 colheres de sopa de cacau cru ( ou triturar chocolate Nestlé 70% cacau)
Depois das avelãs tostadas, com a ajuda de papel alumínio, esfrega-las contra o tabuleiro para sair a casaca com mais facilidade. Depois coloca-las, em conjunto com as tâmaras, numa trituradora e triturar tudo até obter uma pasta, mas antes da avelã  se desfazer . Depois é só juntar o cacau e o óleo de coco e envolver bem. Levar ao frigorífico 15 min só para ser mais fácil fazer as bolinhas....
Como viram é sem glúten e sem açucar!! 
O pão também houve sem glúten - um feito por mim e outro feito por ela, de novo!! No dia seguinte na casa dos meus cunhados havia uma tarde de amêndoa sem glúten que foi igualmente aprovada!!
Já todos sabem os cuidados a ter e já tenho ajuda da família o que é tão bom!

Tenho muita sorte, não tenho?!

A receita dos pães fica para a próxima publicação que prometo que será para breve, não vou deixar passar mais tempo sem que passe por cá!!


                                                                Bom Ano Novo!!


quarta-feira, 26 de julho de 2017

Os gelados Olá e a "frescura" da Sofia

Cá por casa o Verão é sinónimo de praia; piscina; "aventuras" - como diz a minha Leonor - que são somente e apenas viagens à descoberta com direito a muito passeio e muitos piqueniques; e gelados da Olá!!!

O engraçado é que já fui comer gelados da Santini que têm muitas opções sem glúten e têm a preocupação de abrir um gelado novo só para servir o celíaco devido à contaminação ( uma mais valia) e ela prefere os da Olá!! (eu não posso dizer o mesmo)

Os gelados da Olá têm cada vez mais opções sem glúten como se pode ver aqui!

Embora existam estas opções todas as minhas filhas agora só sabem escolher o Corneto de Chocolate - a Leonor, que come de tudo com ou sem glúten - e a Sofia escolhe sempre o Magnum Clássico.

No outro dia estávamos no café e elas a comer os seus gelados, como sempre. A minha Leonor vai me pedindo para ir trincando o centro do topo do Corneto pois ela diz que não consegue - deve ter alguma sensibilidade ao frio nos dentes - e pede-me sempre e eu lá vou dando dentadas....e isto tem acontecido sempre.

Na conversa que estavamos a ter as três eu dizia - "Oh Leonor, outra vez, mas não consegues mesmo trincar isso?" "Mãe, não, faz me impressão mesmo!" - diz me a Leonor.

A Sofia, que anda "fresca" e um pouco competitiva com a irmã diz:
 "Eu se pudesse comer, conseguia de certeza!"

Eu, fiquei feita "parva" a olhar para ela - já tinha percebido que ela levava "bem" o facto de não puder comer os alimentos com glúten mas aproveitar-se desse facto ainda não tinha ouvido - sinceramente só consegui dizer "Ah pois claro que sim, sua fresca!" - não consegui me aborrecer com ela pois tive um misto de sentimentos  mas se formos a ver é muito possível que ela leve bem tudo. Nunca conversei a fundo com ela sobre isto, vou estando atenta aos sinais, bons ou maus.



Como sempre digo, deve-se sempre relativizar e não dar demasiada importância e sim viver da melhor maneira com o que temos - essa é SEMPRE a mensagem que passo para as minhas filhas!!

E divirtam-se...que a vida é curta!!


domingo, 23 de julho de 2017

Outra ótima opção de pão sem glúten ...com a farinha de castanha!

Já tinha a farinha de castanha Amálgama há algum tempo em casa....mas ainda não sabia bem no que fazer e no meio de final de aulas, reuniões e uma festa de aniversário no meio ainda não me tinha decidido. Esta ultima semana já foi mais calma de trabalho e pensei que podia experimentar uma mistura de farinhas diferente e colocar parte desta farinha e ver o que dali saia.

A Amálgama é uma empresa com sede em Vila Nova de Famalicão e que tem como principal objectivo valorizar a castanha do concelho de Vinhais. Produz esta delicada farinha de castanha isenta de glúten que eu comprovo que é muito fina e leve e que acabou por dar uma textura mais fofa ao pão sem glúten que fiz e o sabor é também mais saboroso.

O pão ficou ligeiramente mais escuro, mais saboroso e... (não sei se já disse?) mais fofo!!

A receita foi um improviso daquela que já costumo fazer: 

O que vão precisar...

350 g de farinha Mix Pan da Schar
100g da Farinha de Castanha Amálgama
50g de farinha de arroz da Ceifeira
8 g  de fermento seco da Schar
20 g de psyllium husks
500 g de água
10g de açucar ou mel
10g de sal 
10 a 20 g de azeite

Na Bimby...

Pré aquecer o forno a 40/50ºC
Coloco 500g de água no copo e de seguida o fermento depois são 2 min/37ºC/vel 2.
Antes da próxima etapa misturo as farinhas numa taça assim como o sal, o açúcar e o psyllium husks... depois coloco tudo na copo, coloco depois o azeite e...
São uns 3 minutos e opção Espiga.
Desligue o forno....
Coloque a massa obtida numa forma já com papel vegetal colocado previamente e coloque no forno tapado com um pano ou com papel vegetal e espere 40 minutos ou até que dobre o volume da massa..
(se quiser que faça crosta como também fiz aqui, coloque farinha de arroz por cima da massa)
Depois é só ligar o forno a 180ºC  e deixe cozer por 40 minutos ( conforme o forno, vá testando com o palito para o pão estar cozido conforme gosta)

Numa Batedeira....

Pré aquecer o forna a 40/50ºC
É tudo igual mas podem usar água morna quando juntam com o fermento e o açucar e batem levemente ou apenas ainda numa taça sem batedeira.
Depois noutra taça misturo as farinhas numa taça assim como o sal e o psyllium husks.
Depois junta na mistura anterior  e junta ainda o azeite e bata na batedeira durante uns  3 a 4 minutos ( tem que ir espreitando) 
Desligue o forno....
( o resto é igualzinho à opção Bimby)


Só posso aconselhar a experimentar esta farinha de castanha pois para além da garantia de isenção de glúten é realmente muito boa!!  A próxima vez vou experimentar  num bolo/doce e já posso dizer com mais segurança que...... vai sair bem de certeza!!


Obrigado Amálgama!!

Desfrutem e divirtam-se!!




domingo, 16 de julho de 2017

Ela já tem 9 anos!!

Eu confesso... sou daquelas mães que adoram planear a festa de aniversário dos filhos e torná-los sempre...especiais! Por exemplo, este ano a festa da minha Sofia (a mais nova - fez 6 anos) foi uma pequena loucura - ela faz anos a 30 de Outubro e resolvi, desta vez,  fazer uma festa alusivo ao Hallowenn - a miudagem aderiu e eu também aproveitei - prometo que conto tudo numa próxima!

A minha Leonor já tinha feito um pouco de tudo para uma festa de aniversário no verão - piqueniques com toda a logística atrás; num espaço alugado; em casa (a pedido da própria); no Pavilhão do Conhecimento (adorou) e no ano passado encontrei um espaço porreiro com ringue e a miudagem levou desde bicicletas, bolas a patins (eles adoraram mas eu estava sempre com o coração nas mãos a ver quando é que alguém se magoava) - este ano lá andava ela a pedir me que fosse em casa de novo (é caranguejo que doí - caseira ao máximo) e eu já a lembrar-me da loucura da festa do Hallowenn cá em casa ( já disse que foi uma pequena loucura?) e assim de repente lá me veio a ideia:
 - "E se convidasses amiguinhas tuas para a festa e dormiam cá em casa, fazíamos uma espécie de Festa de Pijama mas só podias convidar umas quatro (de outra forma ninguém dormia bem)?"

Se vocês vissem a cara dela - os olhos cintilavam!! -   SIM!!!

  Foi no fim de semana passado que festejámos o 9º aniversário da Leonor. Convidei só os tios e avós e as amigas ansiosas pela noite ( durante a semana anterior planeavam com a Leonor o que iam fazer na festa). Foi uma delicia vê-las a jogar, a desfilar vários fatos, a cantar e a fazer vídeos no tablet qual youtuberes com programa, fãs e atenção hanstag festa de pijama - #festadepijama - não estivéssemos na era dos blogues, insta e youtube! E as conversas delas à noite (eu não tenho a culpa que elas falam alto) são maravilhosas, houve uma delas que a certa altura diz: "Não se esqueçam que tudo o que estamos a falar aqui não é para falar lá na escola" - esta frase faz-me ter também 8/9 anos reviver conversa com as minhas amigas - é tão bom!! Sim, também foi cansativo - elas só adormeceram à uma e tal da manhã e pasmem-se acordaram às oito da manhã - mas ela ADOROU - e isso é o mais importante!!

Quanto à mesa não foge das mesas de festas de crianças no verão, mas desta vez - e passados três anos de não confiar o bolo de aniversário a ninguém para que seja isento de glúten e igualmente lindo - eu depositei toda a minha confiança na Rapariga do Blog ao Lado para fazer o bolo  de aniversário com o tema - Luna!! Já sigo o seu blogue desde o inicio de tudo e os bolos que ela tem feito são lindos - quando se tem "mão" para a arte de decorar bolos e se gosta é meio caminho para correr muito bem! E não é que foi o que aconteceu e o bolo para além de lindo estava DELICIOSO!!


Está lindo não está? As minhas miúdas adoraram!!

Para além do bolo, tudo o resto era sem glúten - para uma festa de verão (em casa) aqui vão algumas ideias:



Espetadas de Fruta



Pasteis de Bacalhau


                                       Gelatinas                                                  Delicias de Leite ( autoria da tia)


Sobremesa de chocolate e morango
Ideia que já veio daqui mas que coloquei em individuais


Palitos de Cenoura


O molho do Ricardo 
(é assim que eu o chamo - é o molho que o tio das miúdas traz sempre e que é delicioso e muito fresco para petiscar com tostas)

Só precisam de picar ...

  Delicias do Mar  SG (Pescanova)

 Alface

Maça Golden

Cebola

E misturar com...

Maionese SG ( Vianeza)



Não se esqueçam da limonada (bimby) no dispensador mais fixe e que todos adoram (miúdos e graúdos) e que encontram na Tiger (já agora porque não dividir a compra com uma amiga ou alguém da família para usar nas festas de ambas?)


E voilá..... Divirtam-se e desfrutem!!

terça-feira, 20 de junho de 2017

Quem fica com os nossos filhos....

Quando no outro dia as fui buscar não esparava por aquilo. Vi a  minha Sofia a chorar muito - pensei logo que se tinha passado algo grave pois ela não é miúda de chorar por qualquer coisa - logo pergunto - "Que aconteceu?"

"O João vai-se embora mãe!"

O João é o professor do ATL, aquele que está com as minhas filhas desde o 1º ano da minha mais velha - a Leonor - que entretanto já tinha vindo ter comigo a chorar igualmente.

Desde logo percebi que ele era diferente e mostrou ser o que eu esperava dele - amigo dos miúdos mas disciplinador quanto baste; sensível e companheiro; preocupado e muito competente.

Eu, quando percebi o que se estava a passar por ele - "Vou viver para o Alentejo" - fiquei quase sem reação e perante o choro delas, de metade das crianças do grupo dele e dos olhos vermelhos do próprio fiz o que uma mãe deve fazer - passar segurança às filhas e dizer que, infelizmente, por vezes, vão se embora para longe quem gostamos muito mas não deixam de estar no nosso coração e que, de certeza ( espero ) no próximo ano irão ter também alguém de que vão gostar.
Foi, no entanto, com muita tristeza que soube que, nos próximos anos ele não estaria lá para elas.
O João é um professor de excelência ( devia estar a dar aulas mesmo - é professor primário), parece que nasceu para estar com crianças, é uma pessoa muito acessível e simples e eu já partilhava e falava com ele com muito à vontade e confiança e sabia que elas estavam e estariam muito bem com ele - era uma grande segurança para o meu coração de mãe!

João, só posso agradecer assim - escrevendo - por teres sido muito importante, por passares valores e humildade às minhas filhas pois és simplesmente genuíno e as crianças sentem e sabem disso.
Por teres estado sempre lá para uma mãe chata e preocupada e por me teres ajudado e ouvido sempre!

OBRIGADO

Espero, sinceramente, que sejas muito feliz e tenho a certeza que vais fazer muitas outras crianças felizes!


oferta dele para todas as crianças


Nem sabes, mas tive que dizer às miúdas que, te íamos visitar ao Alentejo para ver se aquelas carinhas tristes desapareciam. Não te livras de nós assim tão facilmente.

sábado, 27 de maio de 2017

Outro lado prático e otimista...A melhor forma de levar isto!!

Ainda pensando na sensibilização da doença celíaca pedi à nossa querida Rapariga do Blog ao Lado que me cedesse responder às minhas perguntas ao que ela disse logo que SIM e que, desde já, agradeço.
O objectivo é perceber como foi o seu diagnóstico, como se sentiu, como vive o dia-a-dia e como são os seus pensamentos e/ou sentimentos em relação a várias situações e/ou temas. Pois embora cá por casa se convive com a doença celíaca e se vive com a dieta sem glúten, muitas vezes eu me pergunto como será a vida dos adultos celíacos e como se organizarão na sua vida, como vivem/partilham com o parceiro e/ou a família esta diferença. 

De novo, para sensibilizar, educar e partilhar!!

Vamos lá a isto...Boa leitura e espero que vos ajude!


1) Com que idade foi diagnosticado a doença celíaca?

Olha foi por volta dos 18-19 anos. Nessa altura andava na Faculdade e associava os sintomas/reacções ao sistema nervoso desta nova etapa da minha vida.

2) Nessa altura já tinha ouvido falar na doença ou mesmo na palavra glúten?

Nada, como vês isto foi há 20 anos atrás. Se hoje se ouve falar de DC, DIG e gluten, na altura muito pouco ou nada se ouvia.

3)  Até ao diagnóstico feito, que "caminhos" percorreste? Demorou o diagnóstico?

Assim que entrei para a Faculdade, descobri sintomas anormais, mas sempre associei os sintomas de cansaço intenso ao facto de estar a viver uma nova etapa na minha vida, mais agitada, muita correria de um lado para o outro, aliado ao ginásio que decidi frequentar, só para ganhar alguma massa muscular. O cansaço era muito, mas o meu espírito persistente fazia com que todos os dias levantasse o esqueleto da cama e o levasse ate à faculdade (era mesmo isto). Não conseguia ter o rendimento que queria… a cabeça estava cansada, assim como todos os músculos do meu corpo. Os dias eram preguiçosos, contrariamente ás noites agitadas sem conseguir dormir 2 horas seguidas, sequer. De hora a hora a barriga reclamava com fome. Mas fome mesmo, chegando ao ponto de ir ao frigorífico e comer a feijoada, que havia sobrado do jantar. E sem engordar, na altura pesava 46kg. Com a barriga mais composta, tentava dormir, mas infelizmente os episódios de dores abdominais, diarreias e enjoos não me deixavam descansar. E a ansiedade aumentava, sabendo que daqui a algumas horas teria de me levantar e pôr-me a caminho. Passei uns tempos nisto, condicionada demais, na minha vida. Até que, a minha melhor amiga de sempre e para sempre, mãe, me arrastou literalmente para o médico! Estava a definhar! Embora sempre a negar, e a dizer, que não seria nada. Já na minha infância era muito magrinha, sempre fui! Talvez fosse de mim. Talvez fosse assim!! Achava normal.

Nessa altura conheci a Professora Drª Estela Monteiro, médica excepcional, que me diagnosticou DC, após análises ao sangue, biopsias e uma radiografia contrastada (hoje sei que existem métodos diferentes). Disse-me com um ar espantado, que não sabia como estava, ainda de pé! E mais espantada ficou, quando lhe referi que ainda frequentava o ginásio, ahahha! Claro, levei logo um “raspanete”! Mas como iria eu saber? O cansaço que tinha associava-o às idas ao ginásio, para ganhar alguma massa muscular (achava eu) e nunca a uma doença.

Estava explicado, o porquê de me levantar hora a hora. A minha digestão era feita em 45 minutos e portanto a “fomeca” era demasiada. Apesar do muito que comia, pouco era assimilado. As carências vitamínicas e de minerais eram notadas, assim como, o meu estado anémico grave por carência de ferro, daí o forte cansaço e dores musculares. NÃO ERA DO GINÁSIO!!



4) Quando te disseram o que tinhas, como te sentiste? Como reagiste?

Bem...depois de todos os exames feitos, numa consulta, foi-me explicada, com toda a paciência do mundo, o que era esta doença, as suas implicações e a dieta que teria de abraçar para toda a vida e lembro-me da seguinte frase que a Drª me disse: “nem a migalha que estiver em cima da mesa, você pode comer”. OK! Percebi logo que era uma coisa séria. Logo de seguida lembro-mede lhe ter feito imensas perguntas, pois era a primeira vez que estava a ouvir falar disto. Depois disso, e depois de ter saído da consulta mais mil perguntas me vieram á cabeça e lembro-me até de duvidar daquilo!Como é que, fazer uma dieta rigorosa sem glúten, sem ter de recorrer a medicação, me vai ajudar a recuperar? senti-me um pouco perdida ainda, pois não conhecia ninguém com esta doença, não havia muita informação, não havia os produtos e a variedade de produtos que há hoje...enfim! Mas por outro lado lembro-me de pensar, bem... se é só fazer uma dieta então não é mau!! Acho que até fiquei um pouco aliviada de saber que não era nada de muito grave. E até reagi bem, na verdade era ver para crer, e assim foi passei a ter uma alimentação mais cuidada retirando o glúten, por completo.


5) Depois do diagnóstico quais foram os teus primeiros passos?

A partir do dia que descobri a DC, a minha vida mudou. Passei a comer TUDO sem glúten, fiz uma lista do que podia e não podia comer, falei com os meus pais e mano, do que podia comer ou não…nessa altura ainda estávamos todos juntos. Nos alimentos que tinha duvidas, evitava, não os comia. Aliás, ainda hoje o faço.
Na altura passei a ser muito mais atenta com a alimentação e a ter cuidados, que nunca tinha tido até então:
·  Passei a ler todos os rótulos, ficava horas nas compras, mas ainda assim percebi que não seria por aí, nem todos os produtos estão identificados correctamente e surgem imensas dúvidas no início. Acho que é por ter uma ligação próxima da cozinha, que me levou, mais rápido, a conhecer todos os ingredientes que continham ou não glúten.
·  A organizar a minha dispensa de forma diferente, criando o meu cantinho sem glúten,em casa dos meus pais (nessa altura) Ainda hoje tenho um cantinho "Dos sem gluten" Apesar de não entrar gluten cá em casa!
·  A ter a minha própria torradeira. Não há cá, nem pode haver, misturas!
·  Passei a frequentar as lojas Celeiro. E também a gastar mais dinheiro, hum hum!
·  Quando viajava, não corria riscos e levava sempre comigo pão sem gluten  dentro da minha mala de viagem. Menos roupa, mais saúde, aahaha!
Comecei a pensar que não sabia fazer bolos. Todos me saiam duros, desagregados e muito“enfezados”! Quem diria que ia ter um blog de receitas sem glúten ah!! É questão de persistência. Sai mal uma, duas e três...na quarta vez sai bem. O mesmo se passou com o pão, cada vez que via o pão que tinha feito, a desmoronar ficava super desanimada, mas na semana seguinte lá ia eu tentar de novo. Hoje faço pão quase todas as semanas.

Fiz a dieta, mas é preciso paciência, persistência e aconselho a não desistir, porque os resultados e a qualidade de vida são imensos.Senti-me e sinto-me livre, apesar de acharem que estamos "presos" a uma dieta é libertador, pois quando vemos a nossa qualidade de vida aumentar depois da retirada do gluten. Quando digo retirada tem de ser por completo, nada de ter vontade de um pastel de nata e interromper a dieta para o comer, a pensar que é tão pequeno que não vai fazer mal. VAI e FAZ! Todo o processo que se tinha  feito até alí é anulado. Volta para trás. 

6) Quais foram as tuas grandes dificuldades a nível de alimentação? E em relação aos outros, como era as reações das pessoas à tua volta?

Olha as minhas limitações a nível de alimentação, no inicio, custava-me muito que comessem pizzas e bolos à minha frente. Apetecia-me comer também, mas como sabia as dificuldades por que passei pensava: Esquece!! chegas a casa e fazes. Chegava a fazer um bolo e comia metade - mesmo que não ficasse bem!
Depois era o pão, não havia muita diversidade. O que havia não me sabia bem. Refugiava-me em papas Maizena eheh. Só mais tarde descobri a marca Schar que uso até hoje.

Quanto ás reacções, é importante que as pessoas que nos são próximas entendam e percebam a nossa condição. Eu tenho a sorte de ter uma família e amigos espectaculares, que seguem à risca receitas sem glúten, compram os meus produtos quando me convidam para jantar e todos comemos juntos e igual. Seguem as regras, e quando têm duvidas, telefonam-me a perguntar, antes de lá chegar! Querem ter tudo pronto, continuo a ser uma princesa ;)!

Hoje já não moro sozinha, o meu marido é o meu apoio a 100%! Aos poucos foi experimentando as minhas receitas e dizendo que era igual, assumindo comer sem glúten, cá em casa! Hoje procura e dá sugestões de receitas sem glúten, cozinhamos juntos e sem riscos de contaminação cruzada, não existem migalhas de glúten na toalha do pequeno-almoço! Não existem utensílios diferentes, não existem tábuas de cortar pão diferentes ou 2 torradeiras.
Apoia-me em tudo e sempre. Hoje, em conversas à mesa, com outras pessoas, já é ele que prontamente responde que tem glúten e que não posso…ou que explica, e bem, esta condição, a alguém. Costumo dizer que a lição ficou bem aprendida!

Claro que há sempre reacções negativas, cheguei a ouvir: oh se comeres um bocadinho não te vai fazer assim tão mal, não morres por isso! ou dizerem que não podemos fazer tal desfeita ao aniversariante porque não aceitámos a fatia de bolo. Ou, andas metida nas dietas é por isso que és assim tão magra... Na altura não reagia, sorria só. Hoje não! Hoje assumo e aceito esta condição (para mim não é uma doença), tento sempre explicar o porquê dos meus actos, e nesse momento tento divulgar BOA e CORRECTA informação, afinal ninguém melhor que um Celiaco para divulgar a DC. Quanto mais divulgada mais informação, mais produtos e mais respeito.


7)  No teu dia-a-dia quais são agora as tuas rotinas? E com que dificuldades ainda te deparas? 

O meu dia a dia é simples e as rotinas estão muito bem aceites. Costumo dizer que se gostas de ti tens de te respeitar e o respeito que tenho pelo meu corpo é não ingerir glúten. É uma dieta que exige disciplina e organização, por exemplo, tento comer o maior nr de refeições por dia, em casa. Faço sempre, ou tento sempre, fazer pão em casa e depois congelo, assim garanto pequenos almoços e lanches “feitos por mim”. O almoço, a maioria das vezes, levo sempre de casa. E o jantar também é por casa. Se, caso contrário, por alguma eventualidade não der para levar opto sempre por um restaurante com grelha, os grelhados e salada é o meu forte.
Quando viajo tento sempre perceber, antes, se existe possibilidade de comprar no local para onde vou e se existem restaurantes certificados, o que já é mais comum ver-se fora. Ainda, assim e para prevenir levo sempre uns pacotes de pão na mala de viagem. Costumo dizer, que o espaço que vai para lá preenchido por pão, é o que dá para voltar preenchido com “recuerdos” ahhaha!


8)  Nestes últimos anos houve um  "boom" da dieta sem glúten. Como vês esta moda?

Sim de facto, oiço muita gente que opta por fazer uma dieta sem glúten. Hoje ouve-se imenso falar dessa dieta feita por pessoas que querem emagrecer. Por acaso cruzei-me em tempos com uma pessoa que seguia uma dieta sem glúten, dizia ela, para emagrecer. Ora sendo eu celíaca e conhecedora da matéria decidi ir mais longe e perguntar-lhe como era a sua dieta….no fundo percebi que a dieta passava por retirar todos os hidratos, pão, massas e farinhas de trigo…ora assim se percebe porque se emagrece. A nossa condição é bem diferente disto! Não me “chateia” que o façam e que falem, pois assim também é verdade que quanto mais se fala, ou quanto mais se procura por alguns produtos poderá ser o ponto de partida para diversificar a montra dos nossos produtos. O que me chateia é só o facto de se “entregar” a outras pessoas informação errada sobre a DC ou a DIG. Estas pessoas não têm uma condição/restrição alimentar por questões de saúde. Têm apenas necessidade de fazer uma dieta pobre em hidratos. Nós não queremos perder peso, nós queremos ter saúde e qualidade de vida, e isso conseguimos retirando o glúten. Substituindo o trigo, centeio e cevada por outras farinhas sem glúten. 

9)  Que conselho me darias como mãe de uma miúda celíaca?

Hum!! Um conselho à mãe? Que nunca use as palavras coitadinha ela não pode comer. … Acho que se deve, com todo o cuidado, claro, e depois de se explicar bem às crianças que se trata de uma doença e não de um capricho, DES-DRA-MA-TI-ZAR! Acho que devemos ser práticos, e ter soluções em cima da mesa, mesmo para que eles vejam que é possível, comer igual ao amigo com sabor. Esse é, hoje, um dos meus objetivos do blog. Mostrar que é possível, comermos sem gluten de uma forma mais saudável e bem saboroso. Mostrar que também conseguimos comer fora, mostrar que podemos ter vida social (claro com os devidos cuidados). 

10) E finalmente gostaria de agradecer continuares a dares o teu ponto de vista, sensibilizares e nos dares ideias/receitas lindas e maravilhosas no teu blogue e queria ainda perguntar como tudo começou, qual foi o teu principal objectivo e qual é o teu sentimento para com o feedback que tens na comunidade celíaca principalmente?

Sou sincera criei o blog para poder mostrar um pouco das minhas rotinas celíacas, e ter um part time, no fundo. Um entretenimento para as horas vagas, não com o objectivo que tem hoje. Hoje quero mostrar que tudo é possível, e que somos capazes de chegar lá. Houve pessoas que me contactaram a dizer qual era o meu segredo porque não conseguiam fazer um bolo, sem glúten, sequer. Hoje, fazem bolos, fazem pães, quiches e até seguiram com os seus blogues. Não é fantástico? Adoro, poder mostrar que com persistência e vontade tudo se faz. Adoro servir de inspiração. Adoro cozinhar nem que seja só para mim e poder partilhar, as receitas, a mesa, os novos produtos…. Enfim.

O blog foi crescendo e as pessoas foram pedindo mais, foram-me desafiando sem saber. E todo esse feedback que enche-me o coração. Fico mesmo feliz com o carinho que recebo. Com o “graças a si consegui” nem imaginas o que isso me faz. É tão bom fazer os outros felizes. Só posso dizer Obrigada por me lerem e me seguirem no blog/facebook.  

Claro que as respostas não me surpreenderam e mostram o lado prático e também otimista da Lipita!!